Padre Vítor Feytor Pinto

Em Outubro de 1969, o Sr. D. António Ribeiro, Bispo para a Acção Católica, pediu-me para assumir a orientação nacional da JEC (Juventude Escolar Católica). Vim a tomar posse em Setembro de 1970. Ao tempo, a JEC e a JUC tinham alguns problemas, tendo mesmo perdido a grande maioria dos militantes. Em Portugal vivia-se a Guerra do Ultramar (Colonial) e a Reforma da Educação o que constituiu um motivo de grande sofrimento para os jovens, na sua revisão de vida que a Acção Católica propunha.

Esta dificuldade da JEC e da JUC agravou-se. Aconteceu também que a Revolução de 1974 obrigava a repensar toda a Pastoral dos jovens, até aí quase exclusivamente centrada nos grupos juvenis da Acção Católica.

Em Novembro de 1975 a Conferência Episcopal Portuguesa pediu-me para ir a Roma, participar num encontro da Pastoral sobre “os jovens e o futuro da fé na Europa”. Foi aí que compreendi a importância de uma Pastoral Juvenil organizada em todas as paróquias. Apresentei o relatório deste encontro no Vaticano ao CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) e fiz então a proposta da criação da Pastoral Juvenil, nas dioceses e nas paróquias.

Foi possível mobilizar as dioceses para um encontro de jovens em Fátima, a 26 de Janeiro de 1976. A esse primeiro encontro de Fátima Jovem foi dado o nome de Jornada da Paz. A partir daí, Fátima passou a ser o centro das grandes iniciativas de Encontro da Pastoral Juvenil. Realizou-se a Páscoa Jovem em 1977, com cerca de 1000 jovens durante a Semana Santa. Depois, em 1978, realizou-se a Páscoa Libertação, com cerca de 2000 participantes também durante toda a Semana Santa, sendo a Pastoral Juvenil a orientadora das cerimónias do Tríduo Pascal, no Santuário de Fátima. A partir daí, a Pastoral Juvenil encarregou-se, em Fátima, da animação da vigília de oração, em todos os dias 12/13 nos meses de Maio e Outubro.

A última vez que orientei esta vigília foi quando o Papa João Paulo II veio como peregrino a Fátima em 1982. O Papa João Paulo II, no dia seguinte, disse-me que esteve junto à janela do seu apartamento a acompanhar a nossa oração de jovens, durante toda a noite.

Entre 75 e 80 forma publicados 2 catecismos para orientação das reuniões de jovens nas comunidades paroquiais: “Jesus Cristo, um Messias diferente” em 3 volumes e “Levanta-te e Caminha” em 2 volumes. Estes catecismos eram acompanhados também com várias cassetes de cânticos compostas expressamente para a Pastoral Juvenil.

Por curiosidade, refiro jovens que lideraram a Pastoral Juvenil nalgumas dioceses, e que são hoje figuras conhecidas da sociedade portuguesa: Carlos Azevedo (pelo Porto), João Figueiredo (por Lisboa), Eugénio Fonseca (por Setúbal), António Marujo (por Aveiro), António José Gonçalves Ferreira (por Beja), Ulisses Garrido (por Portalegre e Castelo Branco), Isabel Monteiro (por Lamego). Sacerdotes extraordinários acompanharam estes grupos de jovens e a Pastoral Juvenil ficou implantada em todo o País.

Padre Vítor Feytor Pinto
Pároco do Campo Grande, Lisboa

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