FOTO: Bárbara Vitória
No II Encontro Todos Vão Ouvir a Nossa Voz, jovens de diferentes dioceses reuniram-se no dia 13 de dezembro, em Fátima, num clima de confiança, liberdade e entusiasmo, para pensar, dialogar e propor caminhos concretos para a Pastoral Juvenil em Portugal. Ao longo do encontro, refletiram em quatro mesas temáticas, partilhando ideias claras, exigentes e profundamente enraizadas na sua experiência de fé, de Igreja e de mundo.
Este encontro confirmou que os jovens não querem ser apenas destinatários da ação pastoral: desejam ser protagonistas corresponsáveis, envolvidos na conceção, implementação e avaliação das propostas. As conclusões que se seguem traduzem esse entusiasmo, mas também um apelo firme para que o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil caminhe com os jovens, concretizando as ideias apresentadas e transformando-as em processos reais, sustentáveis e visíveis.
1.O digital como espaço de encontro e evangelização
Os jovens reafirmaram, de forma clara, que o digital não é apenas um instrumento, mas um verdadeiro espaço de vida, de relação e de procura de sentido. A Igreja é chamada a habitar este território com autenticidade, criatividade e profundidade, privilegiando o encontro e não o simples consumo de conteúdos.
Destacou-se a necessidade de condensar e centralizar a informação existente, mais do que multiplicar novos conteúdos. Uma plataforma digital comum, acessível e intuitiva, que reúna atividades das dioceses, projetos juvenis, propostas formativas e conteúdos digitais já existentes, foi apontada como uma prioridade estratégica.
O grupo sublinhou que a fidelização dos jovens nasce da consistência do conteúdo, do testemunho do que a Igreja vive no dia a dia e da capacidade de despertar curiosidade que conduza ao encontro presencial com outros jovens, com a comunidade e com Deus. As tendências digitais podem dar visibilidade, mas é a profundidade que faz permanecer.
O digital foi também identificado como um espaço privilegiado de oração, formação, partilha de experiências e criação de redes nacionais entre jovens e grupos, abrindo caminho, numa fase posterior, ao uso responsável da inteligência artificial como apoio à curadoria e organização de conteúdos.
2. REJOICE – Jornada Nacional da Juventude: alegria que se encontra, fé que se celebra
O REJOICE foi reconhecido como um espaço de celebração, comunhão, formação e envio. Para que seja verdadeiramente transformador, os jovens defenderam que deve ser vivido como processo e não apenas como evento.
Para o pré-encontro, foi valorizada a criação de um caminho de preparação que inclua um hino, uma estratégia de comunicação clara e apelativa, materiais simples de enquadramento e propostas espirituais e missionárias que ajudem os jovens a chegar mais envolvidos, conscientes e preparados.
Durante o REJOICE, os jovens sublinharam a importância do equilíbrio entre liturgia, catequeses, workshops dinâmicos e espaços de silêncio e reconciliação. Temas como identidade, santidade, sentido da vida, missão, saúde mental, migrações e polarização social foram identificados como particularmente relevantes, tendo sido igualmente apresentadas sugestões para o programa musical.
Após o evento, surgiu um apelo forte ao protagonismo juvenil: dar voz aos jovens no pós-REJOICE, acolher testemunhos, apoiar projetos que nasçam do encontro e terminar o evento com uma chamada clara ao compromisso concreto em cada realidade local.
3. Uma Igreja que escuta: Plataforma de Escuta e Corresponsabilidade Jovem
Os jovens reafirmaram que uma Pastoral Juvenil viva exige estruturas estáveis de escuta, participação e corresponsabilidade. A Plataforma de Escuta e Corresponsabilidade Jovem foi entendida como um espaço essencial para garantir uma escuta regular, estruturada e transformadora.
Foi proposto um modelo que parte das realidades locais, paróquias, movimentos e dioceses, e converge para o nível nacional, combinando assembleias presenciais, fóruns online e momentos de pré-escuta. A periodicidade trimestral e a apresentação pública dos resultados, através de um website interativo, foram identificadas como fatores de credibilidade, transparência e confiança.
Os jovens defenderam que esta plataforma deve ser gerida por jovens, em colaboração com os responsáveis pastorais, e que a sua participação deve ter impacto real nos processos de decisão. Nesse sentido, foi sugerida a integração de jovens no Conselho Nacional da Pastoral Juvenil e a criação de um Conselho Consultivo que nasça da Assembleia Nacional Jovem.
4. Liderar para transformar: Laboratório de Liderança Sinodal Jovem
A renovação da Igreja passa, segundo os jovens, pela formação de líderes com espiritualidade profunda, maturidade humana e competências práticas. O Laboratório de Liderança Sinodal Jovem foi entendido não como um curso pontual, mas como um processo de discernimento e formação.
Foram identificadas três grandes dimensões formativas: espiritual (recentrar no essencial, fortalecer a fé e o sentido de grupo), pessoal e relacional (escuta ativa, capacidade de mobilizar, criatividade) e prática (liderança em contexto real de serviço).
Destacou-se a importância de uma pré-formação de discernimento, reconhecendo que há jovens com capacidades de liderança que necessitam sobretudo de aprofundar a espiritualidade, enquanto outros precisam de desenvolver competências pessoais. A formação deve ser inovadora, acompanhada e sempre ligada ao serviço concreto nas comunidades.
Nota final
As conclusões do II Encontro Todos Vão Ouvir a Nossa Voz revelam uma geração de jovens exigente, comprometida e cheia de esperança. As propostas apresentadas não são ideias soltas, mas caminhos possíveis que pedem coragem, método e corresponsabilidade.
O desafio agora é claro: transformar estas intuições em decisões, processos e ações concretas, com os jovens, por jovens e para os jovens. Não será um caminho fácil, mas é um caminho necessário. Como foi partilhado ao longo do encontro, vale a pena confiar: quando os jovens são verdadeiramente escutados, a Igreja renova-se.
Lisboa, 16 de dezembro de 2025














